terça-feira, 22 de março de 2011


  Apagão de planejamento

23 de março de 2011          Jornal Estadão
José Paulo Kupfer
Parece incrível, mas, no Brasil, já tem mais gente viajando de avião do que de ônibus. Segundo pesquisa feita pela Fipe-USP para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), divulgada nesta terça-feira pelo jornal “Folha de S. Paulo”, em 2010, 67 milhões de passageiros viajaram de ônibus interestaduais e 66 milhões de avião. A tendência de alta na venda de passagens aéreas e de queda nos bilhetes de ônibus indica que, pela primeira vez, em 2011, o transporte aéreo responderá pela liderança entre os meios de deslocamento interestaduais.
Se é um pouco difícil de acreditar, é muito mais fácil explicar. O fenômeno se deve à combinação do aumento de renda e das facilidades de crédito com redução dos custos da aviação comercial. Quase metade da clientela da Gol, por exemplo, hoje líder no setor da avião comercial, vem das classes C e D – as que, nos últimos anos, se beneficiaram da ampliação do acesso ao mercado de consumo.
No lado da renda, não é só a remuneração mais encorpada que ajudou na substituição do ônibus pelo avião, nas viagens a distâncias relativamente mais longas. A ampliação e sustentação das vagas de trabalho formal, em conjunto com o crescimento do empreendedorismo, possibilitou um crescimento da bancarização e, na sua esteira, do acesso menos burocratizado ao crédito.
Sob a ótica dos custos, a valorização do real fez um serviço crucial. A taxa de câmbio afeta diretamente os custos de combustível – que representa cerca de um terço de todos os custos de operação no setor –, de manutenção, arrendamento e seguros. Estes últimos, por sua vez, articulam-se com os ciclos mais curtos de renovação das frotas – fator crítico na redução de custos.
Mais incrível do que o fato em si é que a tendência de superação do ônibus pelo avião, no mercado brasileiro, não vem de hoje. Vem lá de trás, pelo menos desde 2004, quando teve início a decolagem do avião, acompanhada da derrapagem do ônibus (desculpem o duplo trocadilho…).
Diante disso, deveria ser incrível, mas infelizmente não é, a falta de planejamento, na sequência, de execução de planos capazes de produzir as condições para absorver a tendência projetada. Oito anos depois do início firma da inflexão no transporte de passageiros no Brasil, instalações e operação de aeroportos, sistema de controle de voo e despacho – de passageiros e bagagens –, defasados na quantidade e na qualidade tecnológica, correm, em velocidade de tropa de burro, atrás do prejuízo.
Os incríveis números levantados pela ANTT ajudam a compreender que os freqüentes apagões aéreos estão inseridos num apagão muito mais abrangente e grave: o apagão do planejamento.

Jornal Estadão 23/03/11


      

Coca-Cola perde a majestade

23 de março de 2011
Marili Ribeiro
A maior surpresa da última edição do ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo, preparado pela consultoria no ramo Brand Finance, é a perda de relevância da Coca-Cola, um ícone de gerações. A gigante de bebidas despencou da 3ª para a 16ª posição na listagem deste ano ao ser avaliada em US$ 25,8 bilhões.
“As projeções de crescimento da companhia foram reavaliadas para baixo e isso fez o valor da Coca-Cola cair”, explica Gilson Nunes, sócio e diretor do escritório da Brand Finance no Brasil. “É uma marca centenário, que ficou madura e estagnou diante da concorrência de outras produtos em seu segmento e, com isso, sofre forte impacto de novas tendências de consumo, como a opção dos consumidores por bebidas mais saudáveis”.
A liderança do ranking 2011 ficou com o buscador Google, que, no ano passado, ocupava a segunda posição. Seu valor atingiu US$ 44,3 bilhões, pelos cálculos da consultoria que considera 35 indicadores que vão desde a receita do negócio até o atendimento ao cliente, passando pelo que chamam de “atributos corporativos”, ou seja, questões éticas e de responsabilidade socioambiental.
A saída da Coca – que é um produto de consumo de massa – bloco da lista das “dez mais” , abre mais espaço para o avanço das empresas de tecnologia e telecomunicações. Setores que já vem dominando os rankings no estilo do elaborado pela Brand Finance. No total, a consultoria analisa as marcas relevantes de mais de 30 mil empresas globais listadas em bolsa de valores. Do estudo participam 350 empresas brasileiras.
Entre as 20 maiores marcas do mundo, cinco são empresas de telecomunicações, quatro são bancos e três são grandes redes varejistas. As grifes que ganham visibilidade e conquistam melhores postos são as de companhias integradas ao mundo digital, como a Microsoft (3ª posição), Apple (8ª) e Samsung (18ª). Das empresas da economia tradicional – e que no passado foram as queridinhas desses rankings –, surge apenas duas montadoras de veículos: Toyota (14ª) e Mercedes-Benz (20ª). A General Eletric (7ª), poderia entrar nesse bloco. Mas investe pesado em inovação e soluções tecnológicas, o que reposiciona a marca nos padrões atuais de valorização.
Não só a Coca perdeu relevância no ranking. A finlandesa Nokia, líder global na fabricação de celulares, sofreu a queda mais significativa ao passar do 21º posto para o 94º. O principal ponto mencionado por Nunes, para justificar a situação está na dificuldade de a empresa em desenvolver produtos no mercado dos smartphones. “A demora fez com que fosse superada pelos concorrentes”, diz o diretor da Brand Finance.
O Brasil contribui com três bancos, Bradesco (28ª), Itaú (41ª) e Banco do Brasil (95ª) entre as cem maiores marcas globais. Em 106º lugar aparece a Petrobrás que, com o potencial do pré-sal, poderá surpreender no ranking do próximo ano.

Enquanto isso na sala de aula............22-03-11








                   

                                                 
 

....Vamos acompanhar?....


      Nova série do FANTÁSTICO 

Max Gehringer dá dicas para quem busca primeiro emprego

Na nova série, o consultor ensina aos recém-formados como evitar que o fim do curso universitário seja o começo de uma nova angústia.
Eles penaram de quatro a cinco anos com aulas e provas. Passaram noites em claro até o tão esperado dia da formatura. Mas o fim do curso, para muitos formandos, é o começo de uma nova angústia: e agora? Chegou a hora de arranjar emprego. 

É o que está acontecendo com você ou seu filho? Então, preste atenção porque está de volta ao Fantástico uma pessoa que conhece o mundo do trabalho como ninguém: o consultor de carreiras Max Gehringer, em uma nova série com dicas valiosas para entrar bem preparado na disputa pelo primeiro emprego. 

Durante cinco semanas, ele vai acompanhar a luta de Mayla, Fábio, Diego e Gabriela para se firmar no mercado de trabalho.

E você vai aprender junto com eles: as dicas para redigir um currículo, como se dar bem em uma dinâmica de grupo, o que fazer para conquista a confiança do chefe e dos colegas. A corrida pelo primeiro emprego está começando. 

LIPDUB Video feito por faculdade de Artes dos E.U.A

LIPDUB /VÍDEO FEITO PELA FACULDADE DE ARTES .............. CEUSNP SALTO

Jornal Estadão 22/03/11

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Brasil mostrou que crescimento e inclusão são compatíveis, diz OIT

Documento da Organização Internacional do Trabalho afirma que o País não ficou imune à crise, mas o mercado de trabalho começou a se recuperar antes mesmo que o próprio PIB

22 de março de 2011 | 10h 00
Anne Warth, da Agência Estado
SÃO PAULO - A experiência brasileira durante a crise financeira internacional é uma prova de que é possível promover políticas de inclusão social e distribuição de renda sem afetar o crescimento econômico, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no estudo "Brasil: Uma estratégia inovadora alavancada pela renda", feito em parceria com o Instituto Internacional de Estudos do Trabalho, entidade autônoma da OIT, que foi divulgado hoje (22). No documento, a OIT avalia as políticas econômicas e sociais adotadas pelo Brasil para atenuar os efeitos da crise, iniciada em 2008 nos Estados Unidos.
"Costuma-se argumentar que as políticas para promover a inclusão social e a equidade afetam o crescimento econômico, o que sugere a inevitabilidade de um trade-off entre os objetivos econômicos e sociais. O caso do Brasil, no entanto, demonstra que não há necessariamente um trade-off, desde que políticas certas sejam implementadas", afirma o estudo de 124 páginas.
O documento afirma que o Brasil não ficou imune aos impactos da crise, mas diferentemente do que ocorreu em outros países, o mercado de trabalho começou a se recuperar antes mesmo que o próprio Produto Interno Bruto (PIB), o que ajudou a estimular a demanda e a reduzir as perdas que ocorreram na maioria das economias. "O emprego voltou a crescer já em fevereiro de 2009 e, ao final do ano, o Brasil havia criado um milhão de novos postos formais de trabalho", diz o texto, que ressalta que o emprego continuou a crescer em ritmo forte ao longo de 2010.
"A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas começou a recuar em abril de 2009 e continuou diminuindo fortemente ao longo de 2009, atingindo 6,8% em dezembro", afirma o documento, ressaltando que, em setembro de 2010, a taxa já havia caído para 6,2%, abaixo do nível pré-crise, de 7,6% em setembro de 2008. "O desempenho mais fraco da indústria de transformação foi em parte compensado pelo crescimento mais robusto do emprego no setor de serviços, onde o mercado de trabalho praticamente não sentiu o impacto da crise e o emprego sustentou sua trajetória expansiva, quase sem interrupção, durante todo o período."
A OIT destaca que, no Brasil, a crise durou apenas dois trimestres e afirma que o ritmo de recuperação da economia brasileira se deveu a uma série de fatores, entre eles os adotados após a crise de 1999, como o fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos, os investimentos no sistema de proteção social, a redução da vulnerabilidade externa e a obtenção de superávits fiscais. Outra política em destaque foi a de aumentos reais do salário mínimo, adotada em 2006.
"Antes da eclosão da crise atual, o Brasil havia criado e expandido uma série de regimes de proteção social que, com a melhora na posição fiscal, puderam ser fortalecidos para apoiar os grupos mais vulneráveis", diz a OIT.
Entre as medidas anticíclicas adotadas durante a crise, a OIT destaca a redução da taxa básica de juros, de 13,75% ao ano em janeiro de 2009 para 8,75% ao ano em setembro do mesmo ano, a criação de linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas, o aumento das linhas de financiamento concedidas por bancos públicos, as iniciativas adotadas pelo Banco Central para diminuir a volatilidade e assegurar a liquidez para bancos e empresas, a expansão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a criação do programa "Minha Casa, Minha Vida".
"A melhoria na posição brasileira permitiu que o país adotasse as ações necessárias para enfrentar os efeitos adversos da crise, especialmente a contração do crédito doméstico pelos bancos privados, e estimular a demanda interna em setores intensivos em emprego, além de apoiar o setor privado", afirma a entidade.
Inter-relações produtivas
Para a OIT, um dos ingredientes de sucesso do País durante a crise foi o reconhecimento da inter-relação entre emprego e políticas sociais, de um lado, e as políticas macroeconômicas e o crescimento, do outro. "As políticas bem desenvolvidas podem ter importantes efeitos que se reforçam mutuamente", diz o estudo. Os casos citados são a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, produtos da linha branca e materiais de construção, que deram impulso à manutenção e à criação de empregos.
A OIT também elogia o aumento das despesas com programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e a extensão do seguro-desemprego, de quatro para seis meses, para os trabalhadores demitidos durante a crise. "O engajamento de parceiros sociais e, de forma mais geral, o tripartismo, desempenhou um papel fundamental no contexto da crise", afirma o texto, ressaltando a importância da participação de empresas e trabalhadores, além do governo, na definição das medidas.
"De fato, há um crescenemplo, desde 2003, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) - um conselho multipartite - tem como objetivo dar sugestões sobre estratégias de longo prazo para o desenvolvimento econômico e social. O Conselho conta com representação do governo, empregadores, sindicatos e sociedade civil, e fez recomendações pertinentes de medidas para mitigar os impactos da crise, bem como de políticas pós-crise", avalia o texto, referindo-se ao conselho criado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantido pela presidente Dilma Rousseff.
A principal lição da experiência do Brasil é a de que as medidas de proteção social e as políticas macroeconômicas, se bem desenhadas, podem contribuir para o crescimento econômico, a criação de emprego e a equidade. Além disso, para que os programas sejam eficazes, não precisam ser custosos", afirma o texto. "Muitos países - tanto avançados quanto em desenvolvimento - introduziram políticas anticíclicas em várias áreas. A especificidade da experiência brasileira é que a formulação de políticas públicas levou em conta os benefícios mútuos das várias ações colocadas em prática."